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O Calvário da Sala das Caldeiras III – Ideologias Nuas

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  O Calvário da Sala das Caldeiras III – Ideologias Nuas Música de Apoio: Ne me quitte pas (Jacques Brel)  Ela sabia que não estava sonhando, mas certamente parecia isso. Ela estava presa em um quarto escuro com paredes salientes que se conectavam sutilmente ao teto abobadado, dando ao quarto uma aparência arredondada. Não havia janelas, portas, entradas ou saídas. Apenas escuridão e dor. Sua cabeça zumbia, pulsando em uma sensação constante e pungente, enquanto ela sentia um tremor sob a sala, como se o prédio em que ela estava contida estivesse começando a ser varrido por uma grande força, como a de uma inundação que arranca uma casa de sua fundação. De repente, houve uma aterrissagem abrupta. A sala tremeu com o impacto, e o edifício agora parecia estar preso em duas superfícies separadas. Ela então sentiu a sala sendo levantada, como se alguma força quisesse arrancá-la do edifício. Em seguida, houve um tremor e ela pôde sentir claramente as paredes de sua prisão treme...

O Calvário da Sala das Caldeiras II – Debatendo-se na Areia Movediça

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O Calvário da Sala das Caldeiras I – Debatendo-se na Areia Movediça Música de Apoio: Noir Désir - Le Vent Nous Portera Amélie desceu para as profundezas sombrias do prédio, sentindo o ar ficar mais frio e opressivo a cada passo. O som das máquinas ecoava pelo corredor estreito, e o leve cheiro de óleo e umidade enchia suas narinas. Ela sentia uma crescente sensação de desconforto, seus instintos aguçados por anos de caça e treinamentos militares a alertavam para o perigo. Lyonel liderava o caminho com entusiasmo, pulando na escuridão como um personagem distorcido de um conto de fadas macabro, seguido por Étienne, cuja forma corpulenta balançava enquanto descia as escadas. Dominique a seguia de perto, sua figura imponente bloqueando qualquer possível rota de fuga. —Tá tudo bem, Amélie! Pode estar um pouco escuro, mas os degraus são bem uniformes. Dá pra descer sem medo! —Lyonel falou com um humor que diminuía a gravidade da situação, e sua intimidade ao usar seu primeiro nome se...

O Calvário da Sala das Caldeiras I - O Cordeiro Sacrificial

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O Calvário da Sala das Caldeiras I - O Cordeiro Sacrificial Musica de Apoio: Charles Aznavour - La Bohème" de Charles Aznavour Era uma manhã chuvosa em Paris, em 1977. O céu cinzento espelhava a atmosfera opressiva dentro da sede da SDECE. Uma jovem entrou no prédio, com um sorriso cheio de expectativas decorando um rosto sardento marcado por olhos castanhos afiados, quase de aparência asiática, um nariz pequeno e pontudo e traços femininos fortes, emoldurados por uma cascata de cabelos dourados que caíam até os ombros. A garota que atendia pelo nome de Amélie Boucher era uma imagem impressionante. Sua forma atlética e atraente chamava a atenção devido à parte inferior do corpo bem desenvolvida, o que lhe conferia uma beleza exótica para uma mulher europeia. Ela estava vestida modestamente com uma blusa social abotoada com ombreiras, calça jeans social e maquiagem de bom gosto. Seu coração batia forte de ansiedade. Ela estava prestes a começar seu primeiro dia na agência de intel...