19/07/1989 Carta dos Sete Rebeldes de Zama à família Geffords.
19 de Julho de 1989 — Zama, Japão
Carta dos Sete Rebeldes de Zama
à Família Geffords
[Em papel simples, à mão, com algumas manchas que podem ser de café ou lágrimas secas]
Querida Família Geffords,
Escrevemos a vocês com os corações pesados, mas cheios de um respeito e uma admiração que palavras mal conseguem expressar. Somos os amigos mais próximos do Ryan aqui no Pacífico — os "Sete Rebeldes de Zama", como ele gostava de nos chamar, sempre com aquele sorriso maroto. Agora somos seis. E sentimos a falta dele em cada café da manhã silencioso, em cada piada que ninguém mais conta, em cada problema logístico que ele resolveria com um estalo de dedos e um comentário engraçado.
Queremos que saibam exatamente como o Ryan partiu, porque ele merece que a verdade do seu caráter seja conhecida.
Ele estava nas Filipinas, não em uma missão de guerra, mas em uma missão de ajuda. Chuvas terríveis haviam isolado comunidades inteiras, e Ryan se voluntariou para ir, como sempre fazia. Ele dizia que a parte mais importante do seu trabalho não era cuidar de munição, era cuidar de pessoas. Que um comboio de suprimentos no momento certo valia mais que mil balas.
No dia 18, ele estava liderando um carregamento de remédios e água para uma vila inundada. O caminho estava bloqueado. Ao descer para ajudar a limpar a passagem, ele e um soldado filipino encontraram um homem local, um pai de família, desesperado e assustado pelo caos, armado com uma velha espingarda. O homem, em pânico, atirou.
Ryan estava na frente. Ele sempre estava na frente quando se tratava de proteger os outros.
Ele não morreu em vão. Por estar na frente, ele protegeu seu parceiro filipino. Os medicamentos que ele guardou com a vida chegaram ao destino e salvaram dezenas. A coragem dele foi tão absoluta que até o homem que puxou o gatilho, agora sob custódia, está sendo tratado com compaixão — porque Ryan acreditava que até os perdidos merecem uma chance.
Ele não era apenas um soldado exemplar. Era o coração da nossa pequena família aqui longe de casa. Era o cara que consertava o rádio, que arranjava o café especial, que lembrava do aniversário de todo mundo. Que ouvia nossas preocupações com uma paciência infinita e resolvia tudo com uma solução prática e um abraço firme.
O Exército vai lhes dar medalhas e documentos. Nós queremos lhes dar a nossa memória dele: a de um homem inteiro. Corajoso até o fim, brincalhão até nos momentos tensos, e profundamente, profundamente bom.
Nós, Keitaro, Michael, Oscar, Trevor, Konichi e Shinji, fazemos uma promessa a vocês e à memória do Ryan: carregaremos o exemplo dele conosco em tudo que fizermos. E sempre, sempre, guardaremos um lugar à mesa e no coração para nosso sétimo rebelde.
Com todo o nosso respeito, amor e gratidão eterna por terem compartilhado ele conosco,
Os Amigos de Zama
[e abaixo, cada um assina de forma única e identificável:]
- Keitaro Ichikawa — com um desenho rápido de uma chave-inglesa
- Michael Porter — com a letra firme de engenheiro
- Oscar Ventura — com um risco rápido que parece uma onda de explosão
- Trevor Pachino — com uma mancha de gordura e o cheiro distante de canela
- Konichi Miura — assinatura em kanji e romaji
- Shinji Tanaka — assinatura formal, seguida de um pequeno ponto final, redondo e perfeito

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